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Parecia ingratidão reclamar daquela gaiola. Era espaçosa e muito confortável. Digna, eu diria. Seria perfeita para quaisquer pássaros que quisesse. Era perfeita para aqueles dois, ambos jovenzinhos, que escolhera ter. Não se davam tão bem assim, verdade seja dita, mas sabiam conviver - isto é, cada um em seu canto. Às vezes até se esqueciam que moravam sob as mesmas grades. Um deles, porém, mostrava-se constantemente insatisfeito, não com a gaiola em si, mas com as regras que nela existiam. As horas que poderia comer, tarefas da própria gaiola que tinha de cumprir - e, se o fazia, era com uma tamanha má vontade. Não era ingrato. Era simplesmente insatisfeito. Olhava através das grades e via por qualquer canto que olhasse um mundo de possibilidades, de árvores para pousar, o grande céu azul pra voar e tentar tocar. Ali, naquela gaiola, tudo era tão pequeno, tão observado cada passo que dava. Não tinha permissão pra sair e permanecia, então, angustiado. Desejava, finalmente, poder voar. Sem tudo aquilo que já tinha porque era conhecido por demais. Queria o incomum, o que existia fora do radar. Não posso culpá-lo, na verdade. Todos tem aquele grande porém secreto desejo de irem atrás do que querem para, assim, serem feliz. |
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Que palavras poderia eu recitar que tivessem, naquele momento, o desejado efeito? Minha tendência de arruinar qualquer coisa boa que me aconteça me impediu: gritou meu nome desesperadamente, fez crescer em mim um medo antes inexistente. Não seria eu quem, com palavras quase inúteis, destruiria tudo mais uma vez. E meu impulso? E minha capacidade de vomitar discursos e palavras já todos preparados em minha mente, prevendo já o fim? Meu silêncio geraria também tal fatalidade? Levei as mãos a cabeça e respirei fundo. Eu suava e meu corpo se enchia de arrepios seguidos, eriçando os pêlos do braço. Soavam tão tolas aquelas frases me sobrevoando a cabeça, soava tão atordoante aquele silêncio no qual eu me afundava. O que me mataria de menos? Seguir aqueles trilhos tão recentes e familiares que muitas vezes me confundiam e, assim, sabotar minhas próprias chances ou deixar que o silêncio ensurdecedor que agora me seduzia resolvesse tudo? Me deixaria levar? Desmancharia os traços passados em busca de um final diferente? No fim, seria uma dessas opções aquela que salvaria minha vida? |
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Acordei indisposta. Tem algo aqui que não sei dizer. Não sai e borbulha de vez em sempre. Essa noite eu sonhei com você. Sorri vendo seu riso na tv. Essa noite eu sonhei com você, sonhei porque Deus me atendeu em meio de alguns soluços. Sorri querendo seus abraços. E pra você, eu diria 'sim' todas as vezes e o quanto eu gostava de ti. Num ímpeto, pra te assustar. Porque a vida passa tão rápido e é quase sempre tarde demais quando resolvemos acordar, e não há nada mais o que esperar a não ser o tempo, pra fazer essa concentrada dor se transformar em singelas lembranças e insanas saudades. "But we're never gonna survive, unless we get a little crazy" |
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A coisa mais simpática que se tinha em mente. Lembra-se ainda; sensação queimando-lhe o peito, o susto do timbre da voz ressoando pelo ouvido. O mundo é todo feito de doce, o chão tem borracha pra quem, por acaso, acabar por cair. É assim pra sempre. É? Com aquele doce, doce mais doce do mundo, tem certeza que sim. Então foi-se, como uma heroína, as pernas fortes e bronzeadas perambulando por aí. Não é coincidência eu chamá-la de heroína, pois verdadeiramente era uma, foi e ainda era a mesma heroína que um dia descrevi nos livros. Mas esta... ela existia. Digo que corre coragem pelas veias; coragem vermelha. Se for preciso ela sangra, mas ainda assim, sangra coragem. Até tenho receio de um dia esta chegar à escassez, tanto que sinto vontade de dar-lhe doses cavalares, porque ela me influencia. Eu próprio dependo dela. E, quando foi-se, eu a idolatrei fervorosamente. Não havia como não o fazer, claro, eu por amá-la como a mim mesmo, ela por esbanjar bom espírito. Este último talvez seja uma tarefa que eu ainda não tenha completado. De qualquer maneira, espelhando-me nela, iria!, onde quer que fosse. Pois ela foi ao encontro do vazio e sabia disso. E foi mesmo assim. Ela perguntou-se, o que será que resta lá?, e num impulso pensado colocou um pé à frente do outro e caminhou até onde nunca tinha ido. Porque mesmo quem tem coragem tem chances de quebrar a cara. Mas quem tem coragem não deixa de ir. E essa foi a vez que ela mais me impressionou. Deixou tudo para trás, foi indo, foi indo e, finalmente, tentou recuperar o que deixou pra trás. Foi lindo. Não sei exatamente que palavras usou, não sei se as pronunciou corretamente ou se chorou. Ela não me disse. Tudo o que sei é que foi e falou tudo o que permaneceu há tempos sob a sua pele. Sei que ela não relembrava os fatos sempre, até eu havia me esquecido de alguns acontecimentos. Ela, pelo jeito, nunca esquecera. Talvez por uns tempos, talvez alguns dias porque tinha memória boa e mesmo quem tem memória boa deleta o que é momentaneamente desnecessário. Armazenou as informações, creio eu. E algo tão bonito fez disso. Lá, diante da condenação dos próprios dizeres, estava aberta como ferida. Estava aberta e sorria divinamente, pois estava tudo fora de si. O mundo é feito de doce, ela sabia, mas não sabia qual reação veria. Ela mesma reagiu. Ela abriu-se e sorriu de vulnerabilidade, de exposição sem receio. No mínimo, impressionante. Diferente época, tempo, coração; quase que literalmente outra vida. Ao pronunciar letra por letra, involuntariamente, tentava recuperar não só o que estava diante dela, mas sim toda aquela vida que tinha tido pausa através do controle remoto. Admirei-me porque esse fato, em minha mente, é tão impossível quanto marcar uma viagem para a lua amanhã. Mas já não pisaram na lua? Viu aí a possibilidade. Ah, as entrelinhas dos acontecimentos, as linhas tortas em que vivemos. Pois não contarei o final. Pense o que quiser. Depois daquele discurso, esperou. Esperou o que? Difícil dizer. Esse era o único fato que ela não havia pensado meticulosamente. O que esperar. Há o que esperar? Somente de si mesmo. Perdoe minha sinceridade. |
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Eu olhei as faíscas se proliferando, alimentadas pouco a pouco, crescendo num verdadeiro espetáculo de cores, cores ainda sem nome - se é que isso é possível. Um dia me disseram que sim. Pois, a noite caía, o azul claro transformava-se lentamente em escuro, e misturavam-se por detrás das montanhas. Havia fogo queimando. A fumaça preta subia verticalmente, fosca por si só. Meus pés cruzados, a areia já gelada. Não havia sol, havia sombra. Havia fogo em volta, labirinto de brilho laranja e de quentura, penetrando sob a pele que tinha há pouco os pêlos eriçados. A madeira acaba por fazer certo barulho, as coisas eram destruídas junto a ela ou apagadas da memória pra, de uma vez por todas, deixá-las ir, ali mesmo na areia, gelada sob meus pés, estes que se mexiam impacientemente em busca do segredo daquela beleza alucinante do fogo, tão perto e tão seguro, laranja avermelhado em contraste com minha pele branca. Senti tudo dentro de mim queimar como madeira velha. Fazia até barulho, eram muitas as lembranças - era preciso muito fogo, muita ardência, muita intensidade pra dissolver cada coisa por vez. Mas doía. Não sangrei, também não choveu através dos meus olhos negros; era um pequeno estralo quando o barulho acontecia. Doía, sim senhor, ah! Como doía. Preciso dessa dor pra achar o caminho da cura? - Eu perguntei. A dor em si é a cura, senhora - Me responderam. |
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Não vou colocar a culpa no "raciocínio lento" ou "falta de atenção", mas lembro como se fosse ontem o quão estranho achei isso quando o ouvi pela primeira vez. Eu enquanto pequena, um pouco teimosa demais, um pouco mandona de menos, devo ter exclamado alguns "mas isso é impossível", como se eu fosse uma advogada que sabia todas as leis que regem o mundo. Ainda é estranho, um tanto quanto inacreditável, eu diria mas, mesmo assim, possível e constante, não literalmente dizendo. Talvez todas essas confirmações do que sempre foi tão impossível pra mim estejam tendo o efeito contrário; agora me volto ao ceticismo. |
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O rapaz chegou-se para junto da moça e disse: - Antônia, ainda não me acostumei com o seu corpo, com a sua cara. A moça olhou de lado e esperou. - Você não sabe quando a gente é criança e de repente vê uma lagarta listrada? A moça se lembrava: - A gente fica olhando... A meninice brincou de novo nos olhos dela. O rapaz prosseguiu com muita doçura: - Antônia, você parece uma lagarta listrada. A moça arregalou os olhos, fez exclamações. O rapaz concluiu: - Antônia, você é engraçada! Você parece louca. (Manuel Bandeira) |
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Ela muita vezes conseguia olhar para cima e se preocupava por ver que, a cada olhadela, afundava um pouco mais naquele lugar. A clara luz presente no lado de fora quase não permitia seus próprios raios se expandirem buraco a dentro, e isso a desesperava. A deixava enjoada e sufocada por presenciar tamanha decadência. Então, entre súbitos de esperança, olhava para cima, tentando procurar aquele rosto antigo que sempre estivera onde quer que fosse para salvá-la. Era um daqueles rostos tão particulares e tão íntimos que seria quase impossível não resgatar da memória. Ela se confundia com o que era ou o que deixava de ser. Tinha um nó imenso na garganta, engasgada com o pavor de permanecer sozinha sem aquelas mãos e olhos que viam a alma. Podia jurar que, de vez em quando, ainda via a sombra dele lá em cima, tentando puxá-la de volta para a vida em si, mas já estava alucinando. Estava alucinando? Não ouvia voz alguma dizer seu nome enquanto gritava desesperada, puxando todo o ar do fundo de seus pulmões. |
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Pensar no que dizer não torna a idéia explícita. Ou implícita. Ao meu ver, é o melhor segredo do mundo: os misteriosos devaneios da mente de cada um. A mente mente? A mente nos ilude ou nos convence do que é ou não é? Talvez sim, talvez não. As vezes mantemos uma idéia tão fixamente em nós que, com o tempo, ela se torna acreditável. Tentamos, de alguma maneira, achar alguma coisa externa a nós para nos trazer alguma paz. Paz para algo que, a cada conversa, só lateja e aprofunda. É aí que a idéia torna-se imagem concreta e passa a nos assombrar, deixando um gosto amargo na boca. E mesmo que digam o contrário, ela continua a perseguir: a idéia está fixa na mente, procurando desanimar o corpo e a procura, aquela segurança antiga que se tinha e que se desfez no ar. |
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things happen. |
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here's the thing: i can't let you go. i neither have the guts nor the want to do it. you could think it's so simple, just close my eyes and move the fuck on. but everyone knows it's so much deeper than that. so much harder than that. maybe i'll suffer more making this choice, not letting you go; but what's important to me, the thing that still keeps me going further is having you inside of me. i seriously don't know what i would do without it. |
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"O poeta é na verdade sempre menor e mais fraco que a média da sociedade. Por isso ele sente o peso da existência terrestre muito mais intensa e fortemente que os outros homens. Cantar não passa, para ele, de uma forma de gritar." Franz Kafka |
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Demorou como os dias de inverno demoram a passar, esgotando-nos até os fios de cabelo, mesmo os mais ralos. Mas que longa espera essa. Espera de que? Espera de viver. Viver pra que? Pra quem? É essa a hora certa? Vai saber. Que hora é certa? Não era tudo tão lento como em câmera lenta, com melancólicos e instigantes efeitos. Ela era cena pausada. Do tipo que se fixa no televisor quando se pega pipoca ou uma barra de chocolate pra terminar de ver o filme. Uma cena talvez escondida mas ainda assim uma cena. Uma cena fora de cena. Quem a vê? Tinha ela sede do novo? Pois queria o velho, o conhecido, tudo aquilo que não tinha em sua essência era a necessidade de mudança. E esperava o que? Como num salto do alto de uma rocha até o fim da cachoeira, o impulso final. Um empurrãozinho. Vivia por um empurrãozinho. Um par de mãos que a fizesse respirar pela vida, pela dor, pelo amor, por um aleluia. Pela dor porque até mesmo da dor se obtém algo. O segredo está no ângulo e na visão. A vista do ângulo, não o ângulo da vista. Pois que sentimento estranho, o de não tentar. Quanta insuficiência dentro de uma pessoa só, tão pequena! Demoremos? Angustiemo-nos para acordarmo-nos? Vivemos? Sim. Demoremos para angustiarmo-nos e vivemos. Vivemos os dias difíceis de inverno que demoram a passar, esgotando-nos até os fios de cabelo. É essa a hora certa? Não importa. |
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There are some things we really want to say to some people, someone that maybe is important to us and we just don't have the chance to do it. Maybe time will be the answer to all our questions, maybe it will show that person what we have tried to say all along. Somehow, it gives me hope. It makes me wonder if it could happen to me. Like someday I would be looking back and I would noticed that actually there are some things that we can keep unsaid because time will make others understand what we meant at the time, without saying a word. - 08 |
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Fizera exatos 18 anos porém nunca sentira-se tão criança: uns sentimentos estranhos pareciam puxá-la de volta para o passado, como se fosse uma perda indescritível aquela adolescente ir rumo à crueldade bruta da vida. |
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Qualquer leitura que aparecia para ela não era mera coincidência: tinha uma espécie de adivinhação muito potente que por um lado a beneficiava; por outro, fazia dela maluca. Ela chamava isso de "dom", e se perguntassem à ela que tipo de dom seria esse, te responderia "muito além da intuição", "força maior interior" ou algo em torno disso, nada muito aprofundado. Era egoísta e queria toda a graça do futuro para ela mesma, para secretamente se divertir com o que aconteceria aos outros sem sair como a culpada da história. De fato era inocente. Mas quem permanece inocente abusando de poder? No final, o feitiço sempre vira contra o feiticeiro, e isso ela não previra. Pois não era tão inocente assim. O poder sempre cai nas mãos erradas... |
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Não sei dizer como nem porquê. É só uma daquelas coisas que nos atingem como um raio, de repente: senti que era ele, um dia, uma hora. Antes não; antes meus devaneios nunca se voltavam a seu temperamento, a aspereza de sua voz. Não, não tão áspera assim. Parecia ter calmantes. Calmantes sonoros, onde já se viu! Só se fosse coisa da minha cabeça. Então, sim, senti um dia que não teria mais dúvidas dali em diante. Mas já vivi no escuro também, e todo escuro tem sua grandeza. Aquele dia... hipnotizantemente te olhei. Afinal, já era hora: os olhos jaboticabas estavam famintos ao me ver e não se sustentavam ao ver-me ali, toda nua. Pois queriam mais, queriam poder tocar-me, mas não podiam tocar-me. Por isso queimavam. A dúvida sumiu aí em alguma reflexão como essa ou em algum momento que permaneci demasiadamente quieta e deixei devorar-me. Toda sua. Um raio, como uma confirmação dos céus. Agora era tua, mais tua do que minha. |
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Cortei o bolo mesmo assim. Não sabia que pedido fazer, o que desejar, porém o cortei mesmo assim. Fiz toda uma atuação: fechei os olhos, trouxe um semi-sorriso de felicidade aos lábios, aproximei a faca e o cortei vagarosamente. Não sei por quê. Se é que posso ser mais sincera ainda, dúvidas inúteis vieram me atrapalhar: concentrei-me na maciez das camadas do bolo que iam aos poucos se soltando umas das outras, camadas intensas e saborosas que ganharam vida no forno. Pensei em suas cores coloridas e artificiais que mesmo sem provar poderia dizer que não teriam o mínimo de gosto. A faca permitiu-me fazer um corte vertical extremamente reto, e medi com os olhos uma reta simétrica para não estragar tal pedaço. Quis colocar também um morango em cima, agradar a quem fosse comê-lo, pois quem é que não gosta de morangos? Aí já era o fim. O bolo havia sido cortado em um primeiro e suculento pedaço prestes a ser digerido, e todo mundo sabe que bolo é só comida de sobremesa. As pessoas ali em volta ficariam felizes e satisfeitas ao comê-lo, minha pequena obra de arte que surgira do pó e do forno, bolo que transformei em cores lúcidas e chamativas para dar à ele algum ar da graça. Talvez tenha me esquecido do pedido, além de estar incerta sobre o que escolher. Pra que escolher se são tantos sonhos? Pra que tornar real um sonho se este só tem graça por assim ser? Queria eu tornar real algo que só cabia em minha imaginação? |
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Here's the thing, there are some people in the world who say things and really mean them, but the truth is, it's all fucking temporarily. |
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Não sei porquê, mas aquilo me atingiu forte como uma onda enlouquecida no mar. Sempre tive cabeça forte, eu mesma pensei, mas quem sabe nunca fora exatamente assim. Da mesma maneira como vemos que há poucos meses éramos meras crianças a brincar... Vejo que às vezes, sem aparente razão, uma idéia nova me vem a cabeça para me perturbar, nunca sozinha. Seus números marcantes e lembranças fulminantes não me deixam em paz. Fui fraca e leve como uma singela pena branca que passara por lugares tão desconhecidos. Talvez como minha mente, mente tão minha que nem mais minha é. Mente que inegavelmente mente, sem querer. |
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